Tabagismo provoca envelhecimento precoce da pele

Além disso, ele atrapalha quem quer passar por uma cirurgia plástica

Por Especialista - publicado em 19/08/2010


Todos os anos, cerca de cinco milhões de pessoas morrem no mundo por doenças decorrentes do tabagismo - 200 mil delas no Brasil. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a segunda maior causa de mortes de fumantes ativos e a terceira de fumantes passivos.

29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo, sabemos há muito tempo as implicações que o tabagismo pode causar na saúde do ser humano. Há comprovação científica de que os elementos decorrentes do tabagismo que penetram no organismo, como o alcatrão e a nicotina, entre outros, estão associados a várias doenças (mais de 50, segundo a OMS). O tabagismo traz também implicações para os pacientes que passam por cirurgias plásticas.

O fumo está associado ao envelhecimento precoce, com perda do turgor (intumescimento), do brilho e da elasticidade da pele. Em geral, ocorre o aparecimento precoce das rugas, e isso deixa a pele com um aspecto pardo ou amarelado. Outra característica que os fumantes normalmente expõem na face são as populares manchas. 

Fumo está relacionado ao envelhecimento


Existem alguns estudos feitos com gêmeos, em que somente um tem o hábito de fumar, que demonstram que aquele que fuma pode aparecer até oito anos mais velho que o irmão. Alguns trabalhos americanos apontam que cada dez anos de uso de cigarros correspondem a dois anos e meio a mais de envelhecimento. Então, após 30 anos fumando, o paciente pode parecer em torno de oito anos mais velho, quando comparado a pessoas que não fumaram.  

O mecanismo que conduz ao envelhecimento precoce está associado à vasoconstrição periférica, isto é, à diminuição do fluxo sanguíneo na pele. Isso significa menor oferta de nutrientes e de oxigênio, o que constitui um envelhecimento prematuro com diminuição da produção de colágeno. Como se já não bastasse, há um aumento do consumo do colágeno e da elastina, elementos que proporcionam brilho, tônus e elasticidade à pele.

O hábito de fumar leva também ao aparecimento de rugas ao redor da boca. Primeiro, pelo consumo de elementos estruturais da pele e, segundo, pela contração de músculos ao redor dos lábios, levando ao surgimento de sulcos e à diminuição dos lábios. Como os músculos da face são interligados, juntamente com o aparecimento de rugas por toda a face, é muito comum o surgimento das bolsas malares.

"Se entre dois gêmeos, um fumar durante trinta anos, ele parecerá no mínimo oito anos mais velho que seu irmão"

Cirurgia em fumantes requer cuidados


Uma grande preocupação na cirurgia plástica diz respeito à cicatrização. O hábito de fumar leva ao aumento da produção de radicais livres, desencadeando uma reação de oxidação -o que é uma das teorias do envelhecimento.

Além da produção de radicais livres, cada cigarro leva a um período de vasoconstrição ou de diminuição do aporte de sangue, oxigênio e nutrientes na região da pele, durante 45 minutos. Com isso, dependendo da quantidade de cigarros que o paciente vai consumir, podemos ter um período muito longo sem nutrientes essenciais no processo de cicatrização pós-cirúrgica. 

Nos casos em que se realizam cirurgias com amplos descolamentos, a tendência é de haver um risco maior de comprometimento do processo de cicatrização. Isso pode levar ao surgimento de necroses teciduais, afastamentos das partes costuradas e de coleções líquidas, entre outras complicações.

Em cirurgias plásticas realizadas com pessoas que têm o hábito de fumar, faz-se necessário adequar técnicas menos agressivas, com descolamentos teciduais menores, para proteger os pacientes de possíveis complicações. 

É interessante também indicar o uso de antioxidantes - sendo o mais conhecido a vitamina C -, previamente. Em altas doses, os antioxidantes podem funcionar como um cofator positivo na cicatrização, diminuindo os efeitos negativos da nicotina, já que ela é considerada um cofator negativo para a cicatrização.

Ainda é importante frisar que, em algumas situações, a cirurgia deve ser contraindicada, até que o paciente interrompa o hábito de fumar. É o caso, por exemplo, de cirurgias em que se faz necessário o uso de microcirurgias, ou de transferências de "retalhos", quando são feitas reconstruções de determinadas áreas. Os riscos de insucesso são muito grandes se o paciente não interromper completamente o hábito de fumar. 

Em termos de cirurgia plástica, o hábito de fumar, associado à exposição solar sem proteção, constitui um fator externo que agrava, e muito, o processo de envelhecimento natural.

Sempre que pensar em realizar um procedimento de cirurgia plástica, o interessado deve consultar um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Na condição de médico, ele estará apto, inclusive, a dar as devidas orientações para quem é fumante. 


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Gerson Luiz

Escrito por:

Gerson Luiz Julio

Cirurgia plástica

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