Analgésicos na gravidez podem favorecer infertilidade em adultos

O consumo interfere na formação do sistema reprodutor masculino

Por Minha Vida - publicado em 17/11/2010


Ingerir até mesmo pequenas doses de analgésicos durante a gravidez pode gerar bebês do sexo masculino com problemas de fertilidade na idade adulta, diz um estudo feito pelo Rigshospitalet Copenhagen, na Dinamarca, e publicado no jornal especializado em reprodução Human Reproduction. De acordo com os médicos, é cada vez mais comum que mulheres grávidas tomem analgésicos para diminuir os desconfortos da gravidez, como dores nas costas, na cabeça e nas pernas. Isso pode ser uma das causas do aumento no número de homens inférteis nos últimos anos.

Participaram do estudo 2300 mulheres da Dinamarca e da Finlândia. Elas responderam questionários e entrevistas sobre os principais hábitos que tinham durante a gravidez, inclusive o uso de remédios para controlar a dor. Depois disso,foram realizados exames em seus filhos para detectar possíveis problemas de fertilidade, como criptorquia - condição em que um ou os dois testículos não estão posicionados no saco escrotal.  

No final do estudo, foram descobertos 42 casos de meninos com sinais de criptorquia. Aproximadamente 60% desses garotos nasceram de mães que tomavam analgésicos durante a gravidez. Os autores da pesquisa afirmam que tomar qualquer tipo de remédio no segundo semestre da gravidez, sem antes consultar um médico, pode dobrar as chances de infertilidade congênita no feto.

Analisando esses dados os especialistas também descobriram que as mulheres que tomam mais de um tipo de analgésicos têm até sete vezes mais chances de ter filhos com algum tipo de infertilidade.  

De acordo com os médicos, isso pode acontecer porque anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), muitas vezes usados como analgésicos, agem na produção de hormônios e interferem na formação do sistema reprodutor masculino durante a gravidez. A ingestão de 500 miligramas destes analgésicos podem afetar a produção de hormônios tanto quanto maus hábitos alimentares e sedentarismo durante os nove meses da gravidez. 

Consumo de álcool na gravidez também interfere na fertilidade

As mães que bebem álcool enquanto estão grávidas podem prejudicar a fertilidade de seus filhos no futuro, de acordo com a pesquisa nova a ser apresentada na 26 ª reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Roma.

Cientistas dinamarqueses descobriram que as mães que bebem de quatro ou mais drinques por semana durante o período da gravidez contribuem para que seus filhos, 20 anos depois, tenham cerca de um terço menos de sêmen em comparação aos homens que não foram expostos ao álcool no útero.  

O estudo se baseou no acompanhamento de 347 filhos e 11.980 mulheres com gestação única que haviam sido recrutados para outro estudo chamado "Hábitos saudáveis", entre 1984 a 1987.

Durante as 36 semanas de gravidez, as mães responderam a um questionário sobre seu estilo de vida e saúde. Os filhos foram acompanhados nos anos de 2005 e 2006, quando tinham entre 18 e 21 anos. Além do sêmen, amostras de sangue eram periodicamente coletadas e analisadas.  

Os pesquisadores então, após dividir os filhos em quatro grupos de acordo com a quantidade de álcool que a mãe ingeria, descobriram que aqueles, cujas mães ingeriam de quatro ou mais bebidas alcoólicas por semana apresentaram concentrações média de esperma de 25 milhões por mililitro, enquanto os filhos que foram menos expostos ao álcool apresentaram concentrações de espermatozoides de 40 milhões por mililitro. 

Assim, após o ajuste para diversos fatores externos, descobriu-se que o grupo que foi mais exposto ao álcool teve uma concentração espermática 32% menor do que o grupo menos exposto, cujas mães consumiam apenas um drinque por semana.

De acordo com o estudo, as razões possíveis para a relação é que a ingestão de álcool durante a gravidez tem efeitos nocivos sobre os tecidos fetais produtores de esperma nos testículos e, assim, a qualidade do sêmen na vida adulta fica prejudicada.  


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