Duas novas pesquisas da Universidade do Alabama (EUA) sugerem que pessoas que vivem em lugares ensolarados e consomem uma grande quantidade de salmão, ovos, atum e outros alimentos ricos em vitamina D, podem ter um risco menor de derrame e perda de memória. Ambos os estudos foram apresentados na Conferência Internacional da American Stroke Association de 2012.
Pesquisadores da Universidade do Alabama (EUA) avaliaram mais de 16.000 homens e mulheres. Eles preencheram um questionário detalhado sobre o local onde tinham vivido toda a sua vida. Os pesquisadores usaram um programa desenvolvido pela NASA, que leva em conta latitude e longitude, nuvens, poluição e outros fatores para calcular a exposição à luz solar.
A cada seis meses, durante cinco anos, as pessoas foram contatadas e questionadas sobre a sua saúde. Dentre as 16.000 pessoas, 351 sofreram derrame. Uma análise dos dados, que levou em conta uma série de fatores que podem afetar o risco de AVE (acidente vascular encefálico, também chamado "AVC"), indicou que pessoas que viviam em áreas com menor exposição estavam, em média, 60% mais suscetíveis ao acidente vascular encefálico. Os pesquisadores acreditam que essa relação aconteceu porque a radiação solar é a principal responsável pela sintetização de vitamina D no organismo.
A ligação entre a vitamina D e o cérebro foi endossada pelo segundo estudo. Neste, mais de 30.000 pessoas foram divididas em três grupos que ingeriram quantidades diferentes de vitamina D e suplementação alimentar. As pessoas que ingeriram maiores quantidades de vitamina estavam 13% menos suscetíveis a ter um acidente vascular cerebral e tinham uma chance 25% menor de apresentar disfunção cognitiva, em comparação com quem tomou a quantidade mínima de vitamina D.
Os resultados de ambos os estudos indicam que tomar sol adequadamente pode fazer bem para a saúde. Mas os pesquisadores também associam os achados à maior prática de exercícios em áreas ensolaradas e aos benefícios da vitamina D à saúde como um todo.
Evite o derrame
O AVC é responsável pela morte de cinco milhões de pessoas no mundo a cada ano, de acordo com a OMS. No Brasil, a doença mata mais que o infarto: são mais de 100 mil pessoas por ano, segundo o Ministério da Saúde. É possível se prevenir de um AVC, já que a maioria dos fatores de risco para o quadro clínico pode ser evitada. Conheça esses fatores e saiba como combatê-los, além de ficar atento aos sintomas.
Pressão alta
A pressão alta ocupa o topo do ranking de maiores causas de acidente vascular cerebral. O neurologista André Lima explica que as paredes internas das artérias sofrem traumas e ferimentos por causa do fluxo do sangue mais forte. "Esses podem obstruir a passagem do sangue (AVC isquêmico) ou romper a parede da artéria (AVC hemorrágico)", explica o neurologista André Lima, do Hospital Barra D'or. É possível, controlar a hipertensão com medicação e hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de sal da alimentação e praticar exercícios.
Tabagismo
Substâncias do cigarro fazem com que a coagulação do sangue aumente. Com isso, o sangue fica mais grosso e fluxo nas artérias, por sua vez, fica prejudicado, aumentando as chances de um derrame.
Diabetes
O excesso de glicose no sangue - característica do diabetes - aumenta a coagulação do sangue e o deixa mais viscoso. "Isso diminui o fluxo de sangue das artérias e pode levar a um AVC", conta André Lima. Mas vale lembrar que esses problemas - inclusive diabetes - podem ser controlados com tratamento médico regular e hábitos de vida saudáveis.
Doenças do coração
De acordo com o neurologista André Lima, arritmias cardíacas podem formar pequenos coágulos dentro das artérias e veias do coração. "Esses coágulos podem ser enviados às artérias cerebrais, provocando um AVC isquêmico", explica.
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Colesterol alto
O excesso de colesterol no sangue aumenta o espessamento e endurecimento das artérias. "Placas de colesterol e conteúdos gordurosos se depositam lentamente na artéria, fazendo com que ela se feche aos poucos e impeça a passagem de fluxo sanguíneo", explica Maurício Hoshino, neurologista Maurício Hoshino, do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Esse processo provoca arteriosclerose - endurecimento das artérias - e prejudica a oxigenação do cérebro, aumentando o risco de AVC.
Sedentarismo e obesidade
A prática de exercícios físicos é fundamental para controlar praticamente todos os fatores de risco de AVC. Por outro lado, a falta desse hábito e a obesidade só aumentam as chances. "Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e doenças cardíacas são complicações decorrentes do excesso de peso e precisam ser prevenidas e controladas com bons hábitos, o que inclui atividade física regular", alerta Maurício Hoshino.